domingo, 27 de maio de 2012

Seria hoje...

Hoje seria. Seria o dia. Exatamente às 03h34min. Lembro-me como se tivesse acabado de acontecer aquele momento... Lindo, perfeito.... Me sentia completa, feliz, radiante, algo que nunca pensei que fosse sentir... Isso faz três anos, mas quando alguém especial chega na sua vida você guarda cada momento em um lugar especial da memória... Aquele lugar que sempre que você lembra faz você dar um sorriso involuntário, lembrando de todas as sensações e olhares, toques, beijos, palavras, silêncios, sorrisos... Era uma compreensão, um sentimento que ia muito além de um gostar. Era um amar que ia além do amar... Era o sonho.

Ele transformou. Eu transformei. Eu me doei intensamente durante três anos de corpo e alma. Queria ser melhor para ele. Queria que ele fosse cada vez melhor para ele mesmo. Que ele conquistasse o mundo. Acho que isso consegui aos poucos.

Mas nem tudo são flores. As pessoas não são perfeitas. Eu tô longe de ser perfeita. Mas quando se está  junto a gente entra no barco, equilibra as qualidades, diminui os defeitos e rema junto. O negócio é quando você acha que a outra pessoa está remando com você e na verdade não está. E, então, você acaba remando em círculos e chega sempre naquele mesmo ponto. O que acontece? Você (neste caso, a pessoa  que me refiro sou eu...) se sente mal, para baixo. Na verdade, você luta por algo que não sabe o que e esquece de você mesmo. Deixa seus sonhos de lado por um motivo muito maior: tentar fazer  a pessoa voltar a remar, mas sem saber por onde começar. Todo relacionamento precisa de conversa. Não adianta você falar e a outra dar dicas. Dicas não funcionam! Temos que ser sinceros. Falar diretamente. Ser leal. Cúmplice. Ter respeito. Fidelidade é consequência.

Chega uma hora que você cansa de lutar. Você perde forças. E aceitar isso foi a decisão mais corajosa que fiz. Corajosa porque ainda amo. Corajosa porque sinto falta. corajosa porque gostaria que fosse diferente. Corajosa porque esperava algo diferente. Corajosa porque foi o momento que desconstruí todos os meus sonhos e planos. Sim, agora estou tentando descobrir o que quero para mim, quais são os meus planos para o futuro. Até então ele fazia parte... É ruim. Dói. Dói muito. Me afundo no trabalho para ver se passa mais rápido. Quando saio coloco o salto alto, faço uma maquiagem e o sorriso no rosto para me convencer que estou bem. Para mostrar aos outros que sou forte e estou bem. não quero que ninguém me veja como a coitadinha, nem que tenham pena de mim. tocar no assunto é para poucos. Chorar? Apenas meu travesseiro, meu quarto e os que me conhecem muito bem e confio.

Hoje eu sei que estou num barco sozinha. Que não existe uma pessoa remando comigo. Então, eu sei que eu tenho que direcionar para onde quero levar este barco. Eu tenho que equilibrar o barco, pegar os dois remos e tomar o rumo que eu quiser. Eu sei que agora ele tá furado, mas eu vou consertar, buscar ter esse barco do meu jeito e remar longe.

Agora deixa como está. Deixa curar. O tempo vai passar e eu vou melhorar. Agora quero apenas ficar bem comigo mesma, não ter nada nem ninguém para me colocar para baixo. Quero me cercar de pessoas boas e que me querem e fazem bem. Quero pessoas que sejam balões, alegrias e sorrisos...

Esse desabafo todo é só porque hoje seria. Do verbo que não foi. Do verbo eu gostaria que tivesse sido. Do verbo é assim. Do verbo vai passar.

Seria: do verbo lembro, sinto saudades, choro, sorrio, gostaria que fosse diferente. Do verbo ainda amo.

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